‘Adão Negro’ é um blockbuster com B maiúsculo – Série Maníacos


Enquanto o rol de personagens das outras editoras focam em personagens humanos que ganham super poderes, a DC sempre focou em seres super poderosos que se tornam super-heróis. Deuses, alienígenas e seres mitológicos salvam o dia, dando um clima superior às histórias da editora, mesmo que nem sempre elas sejam assim.

Isso fica evidente na última empreitada cinematográfica do estúdio, “Adão Negro” (Black Adam, 2022), que estreia nos cinemas nesta quinta e coloca literalmente uma figura divina como protagonista, ainda que tenha uma balança moral totalmente terrena e humana.

Após ficar 5000 mil anos preso, Teth-Adam é libertado de sua prisão em um mundo moderno, mas igualmente opressor ao que ele conhecia. Em busca de vingança, ele parte em um caminho de destruição, chamando a atenção da Sociedade da Justiça, que tem como missão capturá-lo. Mas tudo isso pode não ser páreo para um antigo inimigo, tão poderoso quanto Adam, e que ameaça ressurgir.

É inegável o talento do diretor Jaume Collet-Serra para cenas de ação. O filme transpira grandiosidade enchendo a tela com sequências repletas de efeitos, explosões e muito movimento, pretendendo a atenção do espectador numa viagem agitada por duas horas de exibição. 

O grande problema do filme está no roteiro, que carrega características de várias outras obras. É como se a narrativa fosse uma grande colcha de retalhos de tudo o que deu certo na própria DC e também nas concorrentes (Marvel, Fox…). Isso fica claro na violência de certas partes, no humor que insiste em aparecer em momentos desnecessários ou na forma como apresenta uma resolução corrida e que força um pouco na breguice (a crítica ao imperialismo americano é tão rasa como a profundidade narrativa do vilão feito em CGI no terceiro ato).

Mas ao mesmo tempo que essa mistura é o motivo dos defeitos, ironicamente é o que torna Adão Negro um bom filme. Com toda essa mistura, o resultado acana sendo agradável, como um prato que de longe parece ser estranho, mas na primeira mordida se prova gostoso. É possível ver que Dwayne Johnson investiu pesado na criação do seu projeto de estimação. A ligação entre filmes, que foi abolida nos últimos exemplares do DCEU, retorna aqui, até por razões óbvias. No campo da atuação, Johnson continua naquele estilo básico de misturar carisma com uma “encarada badass” pra câmera, que meio que se tornou a marca registrada dele em Hollywood.

Pierce Brosnan surpreende na primeira incursão no mundo dos super-heróis, dando ao Senhor Destino charme e um bem-vindo deboche, tornando ele um dos melhores personagens do longa (e o dono dos melhores efeitos especiais). Completando a Sociedade da Justiça, Aldis Hodge encarna um Gavião Negro meio nervosinho, mas a quimíca dele com Brosnan é o que torna o super grupo uma das ótimas adições ao roteiro. Noah Centineo e Quintessa Swindell (Esmaga-Átomo e Ciclone, respectivamente) trazem o humor e um pouco de tensão romântica, que não faz falta, mas também não estraga o andamento. Sarah Shahi, Mohammed Amer, Marwan Kenzari e Bodhi Sabongui completam o time, representando a humanidade necessária para que a história se aproxime do público. Dentre estes, Sabongui é o que se destaca na pele de um fanboy responsável pela maioria das referências ao panteão da DC e Kenzari até tenta, mas o seu personagem é tão caricato que acaba destoando de todo o resto do elenco.

Adão Negro” é um blockbuster com B maiúsculo que, mesmo que sofra de problemas de roteiro típicos, consegue divertir e entreter o público com um dose maciça de ação. Introduzindo o conceito de anti-herói no universo cinematográfico da DC, o longa apresenta um novo caminho pra franquia, que se seguido, pode tornar as coisas bem interessantes num futuro próximo. 

PS: há uma cena após os créditos animados no final do filme que vocês não vão querer perder.

*O Série Maníacos assistiu o filme a convite da Warner Bros Pictures Brasil



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