Dear Offred – Série Maníacos


The Handmaid’s Tale sempre foi um universo interessante de se analisar. Diversas são as formas de refletir sobre o contexto sócio político do Brasil e Gilead, seja comparando um ao outro ou apontando divergências. Há alguns anos, mais precisamente quatro anos, tivemos motivos de sobra para enxergar similaridades entre os universos, tanto o da vida real quanto da teledramaturgia.

O contexto político de Gilead nos faz lembrar que você pode ser facilmente utilizado como massa de manobra até que o Estado não tenha mais nenhum interesse sobre você. Aqueles que detém o poder ditam a dinamicidade das relações, ditam de que maneira será orquestrado o funcionamento das relações sociais cotidianas, ditam quem você vai odiar, amar, manter por perto, proteger… inúmeras são as funções que alguém pode assumir. Inclusive existem inúmeras formas de fazer parte desse grande sistema, mas claro que a forma como você joga esse jogo depende daqueles que detém os meios de produção, o capital e poder de modo geral.

A decisão de tornar Serena um tipo de “embaixadora” de Gilead colocou nas suas costas um alvo mais acentuado. Apesar de ter como plano continuar expandindo a ideia sobre natalidade e construção do poder através da opressão das mulheres, Gilead encontra certa resistência em alguns lugares e acredita que o trabalho da Serena ajudará a estreitar laços importantes. O curioso disso tudo é que Serena ainda não percebeu que esse plano em nada a beneficia quando pensado no objetivo maior que é voltar para Gilead. Explico. Sair representando uma sociedade que a maioria te odeia, representar uma sociedade em que as pessoas são livres, e com isso a liberdade pode te atingir de diversas maneiras é um tanto quanto preocupante, mesmo que você tenha aliados ao seu redor.

Serena está grávida e sabe que a sua gestação é o que mais importa para ela no momento, porque é a única coisa que a mantém minimamente viva. No momento em que Serena tiver essa criança ou até mesmo perder o bebê, ela não terá qualquer serventia para Gilead, o olhar que as pessoas têm com ela não é em razão dela ser a viúva ou a mulher sofrida. O olhar compadecido é por causa do filho que ela carrega e essa vantagem que ela tem uma hora passará a ser um problema e talvez esse seja o grande triunfo da June futuramente.

E é esse o problema de você não ser aquele/a que detém o poder ou qualquer resquício sobre dele. Por mais articulada que seja, por mais inteligente e com um plano na mente, Serena esquece cotidianamente que é mulher e que não há nada que Gilead odeie mais do que as mulheres.

Dear Offred foi um prelúdio de confusão, um anúncio de que os limites foram ultrapassados há muito tempo e a paciência já não existe. Se antes Luke era um apaziguador das questões entre June e Serena, depois da conversa com a embaixadora tudo que restou foi ódio, e June agora tem um marido e parceiro de crime.

A afronta da Serena, o ar de superioridade e a sua arrogância despertaram uma raiva em um personagem que pouco se abalava. Nem em relação a Hannah o Luke conseguiu tomar partido de forma tão veemente. Acontece que por mais que June tenha alertado sobre o poder da Serena, e a maneira como ela consegue atrair a todos, a manipular todos, foi necessário passar menos de 10 minutos com ela para entender do perigo que é estar ao seu lado. Luke abraça June em seus sentimentos, em sua revolta, toma para si a legitimidade de poder se vingar da Serena e juntos contracenam uma das melhores cenas do episódio, perdendo talvez para o encontro inesperado entre June e Serena.

A série vai plantando pequenos embates entre as duas, mas muito me preocupa a maneira com que June decide deixar de lado a racionalidade e foca naquilo que acredita ser o solucionador dos problemas. Se de um lado uma tem uma arma e a raiva latente, de outro Serena vai conquistando aliados e fazendo seu nome na boca do povo canadense. A história que ela conta é baseada em tudo aquilo que muitos acreditam, é quase como a nossa história política. Mesmo sem ter qualquer garantia de vida pós nascimento do seu baby, Serena se mantém presente na memória de muita gente e é quase como aquele ditado: “fale mal, mas fale de mim”. Claro que isso não diz nada sobre o seu futuro, mas de longe mais ajuda do que atrapalha Gilead e seus planos expansionistas.

Enquanto Gilead decide expandir seus ideais e conta com Serena para isso, não percebe que a sua própria nação acaba de perder, ou melhor, está prestes a perder uma grande aliada. Não sei se fiquei muito convencida com a “redenção” da Tia Lydia, se é que podemos chamar assim. Na verdade, confesso que não entendi muito bem por qual tipo de melhoria ela pretende lutar em favor das Aias. Apesar de ter muito apreço pela Janine, ela compactua com ideias religiosas muito fervorosas e isso vai de encontro a qualquer liberdade sobre o corpo e vida das mulheres, principalmente as das Colônias e as Aias.

Em que pese Janine ter conseguido conversar com ela expondo seu ponto de vista sobre a maneira como as Aias são tratadas e o sistema brutal de Gilead, Lawrence continua sendo um problema. A sua indecisão e o seu jeito incógnita tornam-se uma grande interrogação no personagem. Não sei em que momento ele vai jogar a real e começar a nos mostrar de que lado ele está ou qual seu objetivo nisso tudo, mas a curiosidade sobre quem ele é de fato só aumenta e fico com receio de colocar muita expectativa nessas intenções. Não sei como vocês se sentem em relação a ele, mas a sensação que fica é a de “estou sendo enganada e tudo que ele faz é um truque”. Talvez ele não tenha um lado e jogar em todos os lados seja uma estratégia de também sobrevivência. Afinal, ele não tem esposa, não é muito querido pelos outros Comandantes, não é inteiramente fã das ideias de Gilead, e sabe que só a bajulação não vai ser suficiente para manter-se vivo ali.

Blessed be the fruit 1: Serena vive mais em estado de medo e alerta do que usufruindo do seu novo cargo. Repararam que ela dentro de quatro paredes, 100% confortável e protegida em um lar consegue ladrar mais que pinscher? É botar os pezinhos para rua e vira uma formiguinha.

Blessed be the fruit 2: June com 0 medo de ser presa, na verdade ela vive como se não tivesse medo de nada nem ninguém.

Blessed be the fruit 3: Curiosa sobre essa nova personagem stalker. Se é religiosa fervorosa já sei que é doidinha da cabeça. Vejamos mais…

Então é isso, queridos!! Um grande beijo e vejo vocês na próxima!



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