Emeritus, unicórnio indiano de ensino digital, chega ao Brasil


A startup indiana Emeritus chegou ao Brasil. O unicórnio de ensino digital, que passou por uma rodada de captação Series E de US$ 650 milhões com o Softbank no ano passado e conta com outros investidores como Sequoia India e Prosus, quer estabelecer presença no país após uma trajetória bem-sucedida no México, vizinho latinoamericano. Hoje, são cerca de 500 colaboradores na região – a maior parte por lá – contando, recentemente, com um escritório menor no Brasil. 

Em termos de faturamento, os Estados Unidos respondem atualmente por 36% das vendas e a América Latina responde por 15% desse total – mesmo percentual da Europa. Colocando o Brasil dentro desse mapa, a ideia é que o percentual aumente. “Brasil e México são as maiores oportunidades dentro da região. Somos pobres, infelizmente, em educação, mas isso nos traz a oportunidade de desafiar esse cenário nos próximos anos”, diz Andrea Mansano, CEO da América Latina para a Emeritus.

O unicórnio, fundado por Ashwin Damera e Chaitanya Kalipatnapu, é o braço digital do grupo Eruditus, focado em educação executiva em parceria com universidades top de linha ao redor do mundo. Ao todo, o grupo tem mais de 50 universidades e já teve 250 mil alunos em 80 países diferentes.

Segundo a companhia, 90% dos alunos terminam os cursos começados na plataforma, um resultado que é fruto da estratégia de construir, junto com as universidades, os conteúdos que são exibidos on-line. Além disso, a companhia oferece ferramentas de interação para os alunos, que colaboram para o aprendizado. 

Para trazer esse serviço ao mercado brasileiro, a companhia já tem parceria firmada com o Insper e outros dois contratos com universidades em vias de aprovação, que devem ser concluídos até o fim do mês. 

A alta da procura por cursos online, combinada com o atual modelo de negócios da companhia, que permite uma personalização maior do aprendizado, fizeram com que a Eruditus de modo geral tivesse crescimento expressivo do volume de contratos em 2020 e 2021 e com que projete ultrapassar a principal concorrente, a plataforma Coursera.

A seu favor, a companhia conta também com um cenário macro de expansão para o setor. Estimativas da consultoria Research and Markets mostram que o setor de cursos abertos online (ou MOOC, na sigla em inglês) devem representar um mercado de US$ 67,1 bilhões em 2020, ante US$ 7,3 bilhões em 2020. Ou seja, um crescimento anual composto de 37,2% nesse período. Competição não falta: vai desde plataformas consolidadas como Coursera e Udacity até mesmo os cursos oferecidos pelo LinkedIn.

Nesse cenário, Ashwin Damera, co-fundador, afirmou em entrevista ao site The Hindu Business que a companhia deve ter receita de US$ 500 milhões em 2022, ligeiramente acima da que a Emeritus projeta para o Corusera, que deve estar entre US$ 389 e US$ 400 milhões. Em 2021, a companhia teve receita de US$ 175 milhões com a venda de cursos e, no ano anterior, esse número foi de US$ 93 milhões.

Para chegar a esse total, o executivo afirmou que a estratégia será de compra de empresas, principalmente, e de criação de novos cursos. Ele afirma que cada novo curso demanda 30 milhões de dólares de investimento e a meta é de lançar 300 novos cursos. Além da oferta de serviços para pessoa física – que responde por 90% da receita – a companhia quer expandir, com as aquisições, a frente de ensino para empresas

Na América Latina, a oferta começou a integrar o portfólio da companhia recentemente. Para ajudar a disseminá-la, a companhia promoveu um encontro com executivos nesta semana, algo que deve ser replicado no México antes de sexta-feira. 

“Queremos aproveitar o momento para nos aproximarmos das companhias. Fizemos a apresentação do novo modelo de serviços a executivos no Brasil e agora vou para o México fazer o mesmo. Além dos próprios cursos em si, queremos estruturar projetos sociais com o apoio das empresas para fortalecer os mercados na América Latina”, diz Andrea.

Para fortalecer essa área, uma aquisição já foi realizada recentemente no Brasil e deve ser anunciada dentro das próximas duas semanas, segundo a executiva. É um ritmo que deve ser mantido em 2022. 

Questionado se a empresa pensa em fazer um IPO em breve, o CEO global da companhia afirma que “não está nem pensando nisso no momento”. O foco deve continuar na entrada de novos alunos e na retenção deles ao longo dos próximos anos. “Se as métricas estiverem corretas, haverá número suficiente de investidores, seja de forma pública ou privada”.



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