O Homem do Castelo Alto – Blog do Lerner


Série, criação de Frank Spotniz, EUA 2015 – 2019

No universo das séries da Amazon O Homem do Castelo Alto se destaca, imponente, fazendo jus ao nome. A série, de 40 episódios distribuídos em 4 temporadas, baseia-se no romance homônimo de Philip K. Dick, autor de várias obras adaptadas para as telas, a mais conhecida: Androides Sonham Com Ovelhas  Elétricas?;  no cinema, Blade Runner, de Ridley Scott. Scott também assina a produção executiva de O Homem do Castelo Alto.

O ano é 1962 (ano de publicação do romance) e os países do eixo venceram a Segunda Guerra Mundial. Os Estados Unidos foi dividido entre alemães e japoneses, com uma estreita zona neutra no centro. Washington foi destruída por uma bomba atômica. Nova York é a capital do Grande Reich e São Francisco é a sede das forças de ocupação japonesa. A relação entre as ex-aliadas começa a ser corroída por sinais de uma iminente guerra fria (qualquer semelhança entre a Alemanha dividida entre União Soviética e Estados Unidos no pós-guerra do mundo real, não é coincidência). Mas a deterioração nas relações entre o Império Japonês e o Terceiro Reich governado por um Hitler envelhecido, não é o centro da série. Seu eixo principal são os rolos de filmes contrabandeados para o tal Homem do Castelo Alto. Qual o conteúdo desses filmes, onde são produzidos, porque constituem uma ameaça tão grande a ponto de as policias secretas terem como prioridade a captura do Homem do Castelo Alto e seus filmes e ninguém,  além do próprio Fuhrer, ser autorizado a vê-los? Esse mistério mantém o espectador cativo na primeira temporada, enquanto são introduzidos os personagens principais e as “leis” que governam essa distopia de realidade alternativa.

Juliana Crain (Alexa Davalos) e os filmes que deixam em polvorosa o Reich.

Na medida em que a trama avança, a série torna-se mais complexa, questionando, de forma extremamente criativa se somos o que somos talhados pelas circunstâncias do tempo e local em que vivemos, ou se manteríamos a mesma personalidade em outras realidades. Além da sofisticação dos temas, a série tem a marca de seu produtor no rigor  dos enquadramentos, da direção da arte e principalmente da luz. A estética nazista, a cultura nipônica e os anos 1960 nos EUA abrem as portas para uma mistura ousada e um visual eloquente, quase exuberante.

A jovem Juliana Crain (Alexa Davalos) é a protagonista da série, no entanto os personagens mais instigantes são o oficial nazista Joe Smith (nome equivalente a João  Silva no Brasil, ou seja, um americano comum que ascendeu na hierarquia do novo regime) e o ministro japonês Nobuske Tagomi, magistralmente interpretados por Rufus Sewell e Cary-Hiroyuki Tagawa.

No romance, são livros que deixam o Reich em polvorosa, na série são filmes. Em ambos os casos trata-se de veículos de conhecimento, cultura e imaginação, o pesadelo de ditaduras e ditadores. Essa mescla de política, mistério, história, filosofia e fantasia cria uma obra impactante, que em alguns momentos perde força quando os dramas dos personagens escorregam para um terreno telenovelesco. Das quatro temporadas, a primeira é a mais eletrizante. Mas se você começar a assistir, vai ser difícil de largar.



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