‘O Homem do Norte’ é uma viagem onírica e brutal através das lendas do povo viking – Série Maníacos


De uns tempos pra cá, numa maré contrária do que até então acontecia, foi a televisão que resgatou os personagens e mitos vikings em suas telas. Séries como “Vikings” e “The Last Kingdom” apostaram numa visão histórica acurada para contar as lendas desse povo, ou como alguns deles viraram lendas.

Em “O Homem do Norte” (The Northman, 2022) que chega essa semana aos cinemas brasileiros, o lado histórico é usado somente na técnica do filme, já que a narrativa em si abraça de vez o lado mitológico do povo, numa jornada movida pelo desejo de vingança.

Amleth (Oscar Novak quando jovem e Alexander Skarsgård quando adulto), filho do rei Aurvandil (Ethan Hawke), é um príncipe que vê sua vida desmoronar quando seu pai é morto pelo tio, Fjölnir (Claes Bang). Expulso de sua terra natal, ele cresce nutrindo um desejo de vingança, prometendo reparar a morte do pai e recuperar sua terra de direito.

Só que o roteiro criado por Robert Eggers, que também dirige o longa, e pelo poeta islândes Sjón, guarda várias surpresas para o caminho do personagem, jogando ele e o público num turbilhão de emoções que é emoldurada pelo apuro visual já característico do diretor, que foge um pouco do apelo estilístico de seus longas anteriores, mas que continua afiado e presente em cada frame.

Dos cenários aos figurinos, tudo foi criado do modo como os antigos vikings faziam seus objetos. A sensação que isso passa na tela é de uma veracidade da qual poucas obras de ficção podem se gabar. Além disso, a fotografia de Jarin Blaschke utiliza a luz natural do ambiente (fogueiras, tochas e o sol) como uma moldura que coloca os atores num eterno jogo de luz e sombras.

Mas tal qual uma saga, a narrativa abraça com vontade os aspectos fantásticos da história. No mundo de “O Homem do Norte” homens são animais, mortos voltam à vida possuindo feiticeiros, videntes selam o destino em uma linha de tear e os deuses caminham entre os humanos. E isso nunca é colocado como algo atípico, mas sim como uma parte natural da vida dos personagens.

E essa é uma das melhores partes do longa, já que quanto mais o filme abraça essas características, mais ele se torna envolvente e inebriante, mergulhando o espectador numa sanguinária revanche. Mas isso se deriva totalmente do magnetismo das atuações. 

Skarsgård se entrega de corpo e alma como Amleth, mostrando uma amargura brutal que esconde um vislumbre de inocência. Anya Taylor-Joy transforma sua Olga num farol que demanda a atenção de todos a cada vez que aparece na tela. Mas é na rainha Gudrún de Nicole Kidman que as coisas se tornam deliciosas. Numa das melhores atuações dela em um bom tempo, Kidman brinca e se esbalda numa personagem que desperta tudo, menos compaixão. Até a ponta de Björk em determinado momento do longa se torna um acontecimento hipnotizante devido ao modo como Eggers dirige seus atores.

O Homem do Norte” é uma viagem onírica e brutal através dos mitos e lendas do povo viking, retratando um conto de vingança que abraça o sombrio e o fantástico como veículo para envolver o espectador. 

* O Série Maníacos assistiu ao filme a convite da Universal Pictures Brasil 



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