RuPaul’s Drag Race All Stars All Winners – 07X01: Legends – Série Maníacos


Começa a temporada mais importante da história da Drag Race.

Digamos que você tenha sonhado a vida inteira em entrar num Reality Show e assim que teve a chance, viveu aquilo que menos de 1% dos participantes do gênero conseguem alcançar: você venceu. Deu tudo certo, a maioria do público te ama, você foi validado e realizado. Não viveu o constrangimento da eliminação, não foi chamado de participante que “nadou e morreu na praia” e nem vai aparecer em listas de “participantes que deveriam ter vencido”. Você VENCEU. Então… será que vale a pena mesmo voltar?

A temporada All Winners da Drag Race parecia elusiva como o ar. De fato, se formos parar para pensar bem, ela só está acontecendo por conta dos últimos 4 anos de franquia. No nosso sonho colorido, as vencedoras das temporadas 1 a 6 é que representavam os “anos de ouro” da corrida (inserindo aí os All Stars 2 e 3). Se elas não voltassem, qual o sentido de ver de novo gente que venceu tão recentemente? Por isso, a demora era esperada. Era preciso convencer ao menos 2 delas de topar a aventura. Uma vez feito, o resto do elenco não seria recebido com tanta hesitação.

Raja e Jinkx toparam por motivos que fazem absolutamente todo sentido para elas: Raja venceu a temporada 3, ficou conhecida como a primeira “fashion queen” e não era uma das vencedoras mais simpáticas. Todo aquele bullying ridículo de “boogers” e “heathers” soa ainda mais patético visto em retrospectiva. Voltar agora, para Raja, é reforçar sua soberania e recuperar popularidade. Já para Jinkx, voltar é mostrar que ela melhorou seu gosto e seu orçamento. Ela é como Alaska; a Drag Race é um playground em que cada desafio é pura diversão.

Depois de Jinkx, da temporada 5, a seleção de elenco pula para a 11, com Yvie. Monet e Trinity sabem – CLARO QUE SABEM – que o empate foi uma questão política e querem um título só para elas. The Vivienne não tem absolutamente nada a perder e nem poderia desperdiçar o boom de popularidade que ela conquistará com uma aparição numa temporada americana. Jaida venceu numa chamada de Zoom (nem precisa dizer mais nada). Shea – junto com Yvie – são as únicas desse cast que só não deviam ter coisa melhor para fazer em casa. Shea, especialmente, alcançou sua redenção no All Stars 5. Estar ali para ela é um simples plus.

Ainda que não tenhamos a sonhada Bianca Del Rio ou mesmo as polêmicas Sharon e Tyra, o elenco é promissor e tem vencedoras que realmente fizeram história na corrida; cada uma por um motivo diferente. Raja por ser a primeira fashion queen, Jinkx pela narrativa de perseguição e pelo Snatch Game; Yvie por ter um estilo original, Monet e Trinity por terem empatado, Shea por ter perdido para Sasha numa temporada ganha, Jaida por ter vencido numa temporada no meio da pandemia e The Vivienne por ser a primeira vencedora britânica. Todas têm muito o que provar e o que dizer.

That’s So Raven

Os looks de entrada já mostraram que essa é uma temporada onde os padrões estarão sendo reestruturados. Mesmo o look mais simples (como o de Jinkx) era polido, elegante e bem organizado. O look de Raja talvez tivesse um problema de silhueta (e ela precisasse sair de costas bradando “Miss Vanjie” por causa disso), mas ainda assim era dramático. Quase que em totalidade, as meninas escolheram calças, maiôs e paletas mais sóbrias. Pessoalmente, acho que Yvie foi a que melhor se manteve em sua marca e caprichou na primeira impressão.

A entrada de Raven brincou com as expectativas da galera de que houvesse uma queen escondida. Seria bacana, mas, pensando com cuidado, que vencedora poderia ser reservada para um twist como esse? Acho que só se Tyra surgisse do nada voltando a ser drag é que se justificaria a surpresa. Por um momento achei que Raven poderia estar ali porque a vitória de Tyra teria sido cancelada. Mas, graças aos deuses foi apenas uma piada. E uma boa.

Os 200 mil dólares são mais que bem-vindos, o que, considerando o montante que pode ser feito com prêmios e dublagens, passa a ser grande coisa sim. Essas queens já venceram e foram convidadas para voltar numa temporada onde perder é quase um conceito inexistente. O sistema de pontos protege cada uma delas de uma eliminação precoce e ainda garante que além de todo dinheiro, tenham muito tempo de tela. É uma temporada organizada para manter a soberania delas, pedindo que elas retornem apenas para realizar um sonho dos fãs e faturar mais prêmios e mais dinheiro. Todo mundo ganha.

E ganha mesmo… O desafio de leitura do All Stars sempre é melhor justamente porque as meninas já se conhecem. O desafio de leitura do All Winners não teve um só momento de constrangimento, de risadas nervosas. O destaque ficou por conta da piada de Monet usando os dentes de Jinkx para correlacionar com o elenco. Mas, foi a própria Jinkx quem venceu, dando a primeira pista de que ela vai ser a grande pedra do sapato de todas as outras. O talento ali transborda de uma forma que chega a ser comovente.

The Legends

Naomi Campbell sempre foi uma presença esperada (e a reserva foi justificada). Naomi foi jurada do caríssimo reality de Heidi Klum no Amazon; o que ajudou muito a melhorar sua imagem. Aqui na Drag Race ela repetiu a boa vibe e fez uma participação rápida, mas muito delicada. Mesmo com Jinkx – que estava claramente fora de seu elemento – ela disse coisas gentis e deu dicas úteis. Além disso, o momento com Shea foi lindo. Era quase palpável a alegria e a emoção de Miss Coulée falando com seu grande ídolo. Naomi foi tudo aquilo que ela precisava ser naquele momento: presente e humana.

E um pequeno apêndice aqui: Shea está DESLUMBRANTE de linda. Ela fez o melhor tratamento de pele da história da humanidade. Good for her. O outro apêndice é sobre Jaida. Imagine vencer algo tão grande assim e viver como se isso não tivesse acontecido? Mal dá para entender o que ela passou, o que explica, novamente, porque para ela voltar era tão importante. Seu momento com as meninas foi terno, sensível, valioso para reconhecermos uma luta que nem sabíamos como existia.

Seguimos para a passarela e o pocket show de Ru para Cameron Diaz foi ótimo. Gosto muito de ver Ru se apresentando. De uns tempos para cá ela tem se permitido isso dentro das temporadas. Adoro a carreira musical da Mamma e adoro vê-la performando sem preocupação com o hate ageísta que vem toda vez que ela faz algo assim. A música era boa e a edição do episódio já merece um Emmy não só por ter melhorado muito o número de Ru como também por ter deixado a apresentação das meninas muito mais dinâmica. Elas não estavam tão bem ensaiadas e aqueles looks apesar de práticos eram horrorosos. A edição foi que deixou tudo mais profissional.

Os looks de Jinks, Raja, Shea e Trinity eram irretocáveis. Yvie era uma pintura, mas relativamente simples (isso sem falar naquela escrota escolha de peruca para a performance). Monet – apesar dos elogios de Michelle – para mim não tinha o mesmo impacto visual das outras. Minhas reservas reais são para os looks de The Viviene e Jaida. Ambos tinham um problema no tronco e pareciam um pouco desconjuntados (a peruca de Jaida, inclusive, estava bem ruim).

E por fim, precisamos falar do twist… Lá estavam as Winners, emparelhadas depois de um runway de tirar o fôlego (sem exceções); quando descobrimos que o block será feito passando para a queen escolhida… um desentupidor dourado (!). A coisa toda está carregada da personalidade de RuPaul, com a ótica jocosa pela qual ela olha o mundo (muitíssimo bem captada por Willow Pill, aliás); mas carece um pouco de verdadeira tensão. A gente sabe que os lipsyncs serão sempre ótimos, mas na ausência de uma eliminação, o block precisa ser mais intenso. Em grande parte, o déficit de força nesse momento se deu pela camaradagem entre as meninas, que ainda está na frente do jogo (e talvez permaneça assim por todos os 12 episódios). Contudo, perdemos um pouco do objetivo da competição se essa tensão não existir.

Depois de um lipsync com uma música que teria sido perfeita para Jinkx, Shea venceu e bloqueou Trinity. Sabendo que o episódio 2 provavelmente seria de atuação, não bloquear Jinkx foi quase uma insanidade. A escolha de Shea provavelmente foi aleatória, mas não temos como saber. Com cada uma das meninas dizendo uma frase engraçada antes de receber o desentupidor, é difícil estabelecer razões e efeitos. Tomara que esse momento dos episódios melhore no decorrer da temporada.

É isso, o All Winners realmente começou. Ele não seria possível sem o nosso amor absoluto pela corrida, que numa temporada como essa fica ainda mais aguçado. É tanto talento, é tanta inteligência, tanto carisma… É simplesmente lindo vê-las juntas, cada uma vinda de seu tempo, representando a maneira inacreditável com a qual esse programa se tornou um fenômeno. A Drag Race é o nosso universo… essas queens são nossas super-heroínas… e o All Winners é a convergência titânica equivalente a uma batalha no Olimpo. Que sorte de estarmos aqui para ver isso… que sorte.



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