Submarinos, vodca e amor: Pepsi pode encerrar louca trajetória na Rússia


A PepsiCo está explorando opções para seus negócios na Rússia, incluindo dar baixa no valor contábil da divisão, disse o Wall Street Journal nesta terça-feira, citando pessoas familiarizadas com o assunto.

A empresa está relutante em fechar sua unidade russa devido à produção de produtos essenciais diários na região, como leite e fórmula infantil, de acordo com a reportagem. A PepsiCo não respondeu ao pedido de comentário da agência Reuters.

A pressão política para que empresas do Ocidente interrompam os negócios na Rússia está aumentando, após a invasão da Ucrânia pelo país. Mais cedo nesta terça-feira, o McDonald’s disse que fechará temporariamente todos os seus 847 restaurantes no país. A rede de cafeterias Starbucks é outra que anunciou a paralisação dos negócios na Rússia.

O caso da PepsiCo é sui generis. o refrigerante ícone do gigante alimentício foi um dos poucos produtos ocidentais permitidos na União Soviética. E até hoje é amado pelos russos.

O faturamento da companhia no país foi de US$ 3,4 bilhões em 2021, o que faz da Rússia o terceiro maior mercado global da empresa, atrás apenas de Estados Unidos e México. A empresa tem 20 mil funcionários na Rússia, em 24 fábricas e três centros de distribuição. Fabrica por lá refrigerantes, snacks, batatas, iogurte, queijos, comida infantil.

Em 1959, a Pepsi pisou na União Soviética ao participar de uma feira de marcas ocidentais, levada pelo vice-presidente Richard Nixon. Uma foto do premiê soviético Nikita Khrushchev bebendo um copo de Pepsi entrou para a história. Depois, em 1974, a empresa abriu uma fábrica no país, com uma vantagem de quase duas décadas para a rival Coca-Cola.

Foi uma aventura que demandou concessões. O pagamento pelos produtos sempre foi um ponto de tensão, uma vez que o mercado financeiro russo não estava conectado, e o dinheiro não era aceito, no Ocidente. Um situação semelhante à dos últimos dias, com as sanções anunciadas após a invasão à Ucrânia.

A União Soviética chegou a pagar a Pepsi com vodca, produto local amplamente valorizado no mundo inteiro. As sanções aos soviéticos aumentaram após a invasão do Afeganistão, em 1979, o que levou os americanos a aumentar o recebimento de vodca para mais de 1 milhão de garrafas por ano.

No fim dos anos 1980, a conta ficou tão desbalanceada que os russos ofereceram um pagamento para lá de inusitado: equipamento bélico. Um acordo cedeu à Pepsi 17 submarinos, um cruzeiro, uma fragata e um destroyer. A frota combinada, segundo o site Business Insider, chegava a US$ 3 bilhões.

Por um momento, a Pepsi chegou a ser dona da sexta maior marinha do planeta, antes de vender os equipamentos para a Suécia. Criticado pelo governo americano, Donald Kendall, então CEO da PepsiCo, respondia que estava desmantelando a União Soviética mais rápido que o Pentágono.

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