The Handmaid’s Tale 5×01/02: Morning/Ballet – Série Maníacos


Mais controversa do que nunca, agradando a uns e não a outros, The Handmaid’s Tale retorna a sua 5ª temporada já com dois episódios de vez, começando exatamente de onde parou na temporada passada: o plano de June para matar Fred e a sua terrível morte.

Ao som de “All I Have to Do is Dream”, June revive em sua mente a noite anterior. O assassinato de Fred Waterford ficará na memória de todos, indubitavelmente é a morte de um dos principais comandantes de Gilead que desencadeia uma guerra fria entre Serena e June. Guerra que veremos de forma mais escancarada a partir do segundo episódio, ou melhor, um pouco já na metade do primeiro.

A cara de psicopata e os olhos de cigana, oblíqua e dissimulada da June, continuam temporada após temporada significando muito e se esgotando na sua essência. Ao longo da série a gente pode acompanhar inúmeras caras em que muito significou o auge da instabilidade da personagem. June foi estuprada, torturada, humilhada, negligenciada, teve sua vida roubada por um sistema em que minimiza, maltrata e mata as mulheres em diferentes maneiras, sejam elas literais ou não. De fato, é muito difícil ter alguma instabilidade depois de passar por tudo isso, e por isso é mais fácil para alguns telespectadores entenderem ações e conseguir justificar os fins com todos os meios que a June utilize.

Após a morte do Fred, seria natural a sensação de poder nas Aias que participaram da emboscada. Todas querem vingança, querem a sua justiça pessoal, e ter participado do crime (quase) perfeito era a êxtase que faltava, era a vontade de viver, de saber que seu algoz ou aquele que representava um algoz, teve o que mereceu, representando um dos muitos homens sem escrúpulos de Gilead. É, todas querem a sua justiça pessoal.

Por mais piegas que possa parecer, a justiça jamais poderia ter sido dada pelas mãos das Aias, sabemos disso. Mas a mesma justiça que de um lado insiste para que as vítimas denunciem o seu agressor, é a que o inocenta, o afasta e o deixa livre. A revolta de June na season finale foi latente e a sua reação foi pautada tão somente no sentimento daquela que foi mais que vítima. É por isso que, ao ver que o plano ocorreu conforme planejado por elas, as outras mulheres que participaram do ataque, também se sentem legitimadas a buscarem sua vez na fila da reparação pessoal. E aí entramos numa seara perigosa, iniciada por June e que certamente terá mais embates futuramente, sobretudo com a sua “absolvição”.

A June ter escapado da responsabilidade jurídica da morte do Fred desencadeou inúmeros sentimentos em Serena. Por sinal, eu não estava lembrada da sensação amarga que é olhar para essa mulher e vê-la exigir mundos e fundos como se fosse a própria Rainha, mas mais adiante falo sobre isso.

A personagem da Yvonne Strahovski sempre despertou diferentes sentimentos por parte daqueles que assistem a série. Raiva, ódio, pena, desprezo, indiferença. Serena consegue ser tudo e mais um pouco, consegue ser vítima, ser algoz, consegue nos fazer aclamar por mortes violentas, esquecendo até do verdadeiro causador do problema. A personagem é uma das mais complexas e desvendá-la é um trabalho e tanto. Esses dois episódios são a prova viva da construção muitas vezes maquiavélica que a personagem traz para a série. Em Morning vimos uma mulher viúva chorar pela saudade de um marido que a humilhou, manipulou emocionalmente, usou da sua fé para conseguir o que queria, mas jamais foi apenas isso. Serena nunca será apenas a coitada, a vítima do sistema. A sua responsabilização pela existência de Gilead e pelos diferentes tipos de violência que June sofreu tem que ser exposta e lembrada sempre que possível.

Dificilmente teremos uma redenção para Serena. O prazer em fazer o mal, o prazer em só se beneficiar com suas causas, com seus problemas, com o que quer para si é visível em cada episódio. E não há nada que possamos fazer ou argumentos que podemos utilizar para entende-la. São escolhas e ela sempre demonstrou estar muito convicta das suas ações, de fazer o que fosse preciso.

Assim que Serena soube da morte de Fred, memórias felizes tomaram conta dos seus pensamentos, de início pensei que pudesse significar algum tipo de choro que culminou na alegria. No entanto, as tratativas incessantes para que houvesse um funeral digno para o marido, só deixou claro que em um dado momento o objetivo da Serena era atingir a June e faze-la sofrer muito mais do que o prazer em ter trazido honra à morte do marido.

A atitude da June desencadeou a reação soberba da Serena. Que diabos June pensou que aconteceria ao mandar o dedo para ela? Por mais inofensiva que ela estivesse aparentando quando estava sob custódia, sabemos que Serena possui um poder tão latente quanto a June. Enquanto Serena consegue ser a mente equilibrável, June aproveita do seu desequilíbrio emocional para fazer o que precisa ser feito. Deixar Serena ciente de que ela foi a responsável pela morte de Fred foi uma das coisas mais estúpidas que já vi e olha que a June sempre se supera no quesito surto.

Sua atitude não só colocou a vida da sua família no Canadá em perigo, como também deixou Serena sorrir em vantagem sob sua principal oponente.  A ideia do funeral televisionado já tinha endereço certo e ter visto na rua, deixou a cena muito mais vistosa e bonita de se assistir. Por mais que June lute para provar que Serena é a pior pessoa do mundo, esta inverte os papeis e definitivamente sai na frente da batalha política entre elas. Ser vista como queridinha de Gilead, como injustiçada e ter a piedade de poucas pessoas no Canadá é suficiente para criar um estrago futuramente. O Brasil e EUA que o digam, né?!

Depois do funeral megalomaníaco, Serena passará a contar com o apoio de pessoas que certamente não durariam 2min em Gilead. Ao fazer exigências para lá e para cá, ela esquece por um momento que é mulher, e, para o seu azar, homens não gostam de mulheres. A fotografia em Ballet deixou claro a real situação das mulheres na série, ainda que com privilégios, mínimos que sejam. Serena entra em uma sala em que Comandantes desfrutam do poder que lhes foi dado, o ar de superioridade é logo esvaído e ela precisa ser salva pelos dois personagens mais incógnitas atualmente. Nick e Lawrence nos confunde e traz a discussão sobre os seus reais interesses tanto em Gilead quanto na sua relação com June.

Se não sabemos ainda as intenções de forma clara dos Comandantes responsáveis para que June chegasse até Fred, o mesmo podemos falar de Esther, a jovem Aia que sofre por ser tão inquieta e instável emocionalmente quanto June. Se por um lado achei que a amizade dela com a Janine seria bem explorada e teríamos uma ligação e proteção por ambas estarem numa versão piorada e 2.0 de Gilead, a série tratou de afastar qualquer tipo de pensamento proveniente dessa minha ideia.

Esther sempre foi uma jovem muito questionadora e quando a conhecemos percebemos que ela é tão carente e necessitada quanto a Janine. Ao achar que Janine a traiu, ela deixa em aberto o seu futuro e coloca em risco a vida das duas. Não faço ideia do que pode acontecer após o incidente, acredito que ambas estão vivas e as consequências serão as piores possíveis. Mas se até a June conseguiu parar de sofrer por que não torcer para uma vida menos dolorosa para a Janine?

Se June provocou Serena e desejou que ela soubesse que matou o Fred, Serena dá o troco e mexe com a única coisa que importa para June. Ver sua filha abraçada com a mulher que mais odeia, ver sua filha fazendo parte de um circo em forma de funeral é de dilacerar o peito. Serena usa da sua inteligência política e de uma certa ajuda externa para conseguir o que quer. Certamente teremos mais das suas artimanhas até a season finale, e não duvido nada que a June decida voltar para Gilead eventualmente numa tentativa de recuperar Hannah.

O jogo está empatado e a trajetória que a série quer contar nessa temporada parece ser promissora. The Handmaid’s foi renovada para a 6ª e última temporada, significa dizer que teremos tempo para construir histórias, desenvolver outras e finalizar a série com a mesma maestria das primeiras temporadas. Eu acredito e vocês?

Blessed be the fruit 1: Pela primeira vez conhecemos a esposa do Nick e ficou claro que a sua relação com a esposa é diferente das outras esposas dos comandantes. Uma cumplicidade silenciosa, tímida, mas presente. Acho que gostei.

Blessed be the fruit 2: E na cena final o nome do filme é: “não olhe pra cima”. Ba tum dass.

Blessed be the fruit 3: Ninguém confia na June, nem a própria June confia em si mesma. Mas nada menos que uma June virada no estopô para baixar a bola da Serena.

Blessed be the fruit 4: Emily voltou para Gilead e com isso os roteiristas justificaram a saída da atriz da série. E aqui não tem muito o que fazer. Ao menos deixa possível o retorno da personagem em um futuro.

Blessed be the fruit 5: Os episódios da série serão lançados semanalmente no Brasil pela Paramount+.

Galera, é um prazer estar de volta e fico feliz em poder conversar com vocês sobre essa série tão boa e importante. Nos vemos na próxima, beleza?!! Um beijão =)



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