The Handmaid’s Tale 5×03: Border – Série Maníacos


Border se inicia no mesmo ponto em que terminou seu antecessor. A dinâmica de episódios segue uma história contínua, literalmente sem quaisquer intervalos de dias ou sequer meses. A história vem sendo contada quase que de forma uníssona, em que essa sucessão frenética de acontecimentos tanto nos EUA quanto no Canadá, acaba por aproximar aqueles/as que começaram a assistir essa temporada com os dois pés atrás sobre o que estava por vir.

A afronta da Serena foi televisionada por todo Canadá e seu plano atingiu a June exatamente como ela planejava. É incrível como a série consegue se destacar em três grandes pilares: fotografia, atuação e diálogo. É por isso que apenas uma cor de vestido se torna mais importante do que o próprio bem-estar da filha, por exemplo. June entende a importância da vestimenta e das cores em Gilead e por isso que saber o que significa a cor que Hannah está usando é o que mais importa naquele momento. A escalada da Hannah na pirâmide social pode ocasionar diversos traumas na sua infância, não só por agora estar preparada para se tornar esposa em plena adolescência, como também por assumir um papel de opressão diante de outras mulheres, como as Aias.

Inclusive essa relação é uma linha muito tênue, porque a partir daí se discute de que maneira é possível quebrar a organização opressora, patriarcal e machista de Gilead, de modo que todas as mulheres percebam que essa sociedade é ligeiramente violenta para todas. Tomem a Serena como exemplo. Por mais sofrimento que ela tenha passado, por já ter perdido um dedo, por ter sido silenciada em todas as vezes que ousou se manifestar sobre algo, ainda que em prol da sociedade que ela ajudou a fundar, ela acredita que a sua vida é em Gilead, é fazendo parte da dinâmica do local e tudo que ela viveu é por um bem maior, que é a ascensão da natalidade, a vontade de Deus e todas essas besteiras que conhecemos.

É por isso que é tão difícil para essas mulheres, sobretudo as que são esposas, entenderem que o universo em que elas vivem é um verdadeiro câncer. Só quem morre, é estuprada, mutilada e tem filhos tirados dos seus braços compreende que esse tipo de sociedade é tudo menos um propósito de vida e uma forma de prosperidade. A construção das equipes de resgate e da organização responsável por trazer um pouco de segurança na vida das mulheres que permanecem em Gilead é a esperança de que um dia isso tudo acabe.

Mayday é uma palavra que significa pedido de auxílio, código de emergência. Mais uma vez tivemos tal palavra sendo utilizada em The Handmaid’s Tale, mas dessa vez dando nome a uma organização secreta com propósito de ajudar a resgatar mulheres e crianças de Gilead, assim como responsabilizar extraoficialmente comandantes e demais pessoas que fazem esse universo macabro funcionar.

Bom, Border traz um pouco de cara e cor ao Mayday. Como June disse, é como se não existisse de forma concreta e a funcionalidade fosse coisa da cabeça dela e das Aias. Para sua sorte, a estrutura secreta do Mayday é maior do que pensávamos e funciona muito bem se pararmos para pensar no quão perigoso é se rebelar em território americano.  As mulheres que dirigem a parte que June e Moira conheceram, nada mais são do que peoas que se projetam no objetivo de salvar mais e mais vidas.

Foi bom ter visto um pouco mais do seu funcionamento e a gratidão no olhar de June, Moira e demais mulheres ali na cabana foi linda. A gente entende que existe um agradecimento velado, um suspiro aliviado por terem conseguido fazer algo, ainda que não tudo. E por mais que elas tentem diariamente salvar mais e mais vidas, a sensação de insuficiência vai sempre prevalecer. Para nós, mulheres, é assim que nos sentimos na maior parte do dia, com um gostinho de: “isso aqui foi pura sorte”.

A existência de um grupo de refugiadas que trabalham em prol do Mayday é interessante, obviamente não foi possível esconder da June por muito tempo e talvez ela use aquele grupo com mais sabedoria do que Moira. A propósito, a sua pacificidade muitas vezes me desanima. Não sei como vocês se sentem em relação a personagem, mas fico com a sensação de que ela é muito passivona, talvez por termos dois extremos de atitudes, ela e June se destacam por serem tão diferentes entre si. A sensação que fica é a que Moira poderia fazer muito mais, e não digo em ajudar a receber refugiadas ou organizar agendas, mas de se envolver ou de até entender os motivos da June. É tudo muito compreensível e eu não hesito em querer defender os propósitos da June, a loucura em que ela vive e o constante estado de “sangue nos olhos”. Se eu tivesse uma inimiga como a Serena, também estaria para matar um a qualquer minuto.

Um pouco acima eu falei a vocês que existem três pontos principais e de destaque em The Hand’s: diálogo, atuação e fotografia. As cenas envolvendo Serena e o Comandante Lawrence foram para mim as melhores do episódio. É incrível como os personagens exalam poder, ambição e inteligência em seus discursos. Serena arriscou tudo ao pedir para permanecer em Gilead, ela acreditou que seu futuro seria traçado antes da maternidade e com a ajuda do Lawrence. Ele fez ela acreditar nessa possibilidade e talvez esse jogo político que ele faça seja seu grande plano no final das contas. Infelizmente o personagem é incógnita demais e ainda é muito cedo para desvendá-lo por completo, pelo menos até esse momento. O que sabemos é que durante a conversa dos dois, fica nítido que o plano da Serena era casar-se com Lawrence e assim se manter na hierarquia social de Gilead. O problema é que esse plano saiu pela culatra, porque muito embora fosse benéfico para ambos, Lawrence permanece impassível sobre se casar de novo. É aí que mora a grande interrogação no personagem.

Dificilmente teremos respostas tão claras, o personagem, assim como Nick, esconde suas intenções de maneira muito firme. Acho que o Nick conseguimos entender um pouco mais, justamente por já conhecermos de antes de tornar-se Comandante. A sua relação com a June ajuda a compreender que minimamente ele tem se colocado ali para ajudar e ser essa ponte entre Hannah e ela. Já Joseph não. É tudo muito nebuloso e quando você pensa que ele está tecendo por um lado, ele faz o caminho totalmente inverso.

Quem nunca negou suas intenções, e mesmo sendo do núcleo secundário nessa temporada consegue ser um grande destaque é a Tia Lydia. A sua adoração e simpatia, se é que podemos definir assim, pela Janine é curiosa e o seu sofrimento por ter visto a Aia em perigo, foi muito sentido. Os desdobramentos da tentativa de assassinato da Janine pela Esther devem ocorrer nos demais episódios e o tapa que Lydia deu na pobrezinha é só o anúncio de uma possível vida mais miserável ainda para a jovem.

Talvez a responsabilização seja pedida diretamente aos Altos Comandantes e isso pode envolver o Lawrence novamente. Ainda não sabemos, mas de uma coisa é certa, não duvido que venha uma Emmy Tape só dali.

Blessed be the fruit 1: Serena de volta ao Canadá dessa vez como embaixadora. Quais as chances de ser o maior suco de confusão com a June 100% putassa? Exato. Altíssimas.

Blessed be the fruit 2: Por falar nisso, eu não duvido nada que depois do nascimento do bebê da Serena, ela não seja colocada como Aia. Espiem só. Quem sabe assim ela entenda de uma vez por todas que ELES NÃO SE IMPORTAM COM AS MULHERES.   

Blessed be the fruit 3: O último episódio da 3ª temporada foi dirigido pela mesma pessoa que dirigiu Border, Dana Gonzalez. Esse episódio foi intitulado de Mayday e na sua season finale, para aqueles/as que não se recordam, June conseguiu fazer o resgate de avião das crianças. Existe, portanto, algo simbólico aqui.

Blessed be the fruit 4: Fiquei muito tensa com a conversa do Nick com o Comandante Mackenzie. Esse cara vai aprontar alguma e eu temo muito que essa seja a última temporada do Nick.

Blessed be the fruit 5: Que química do Nick com a June. Os personagens se combinam de uma forma única, é triste e bonito vê-los conversando, é um cuidado e um respeito muito presente.

Blessed be the fruit 6: Ann Dowd e sua espetacular atuação. Não tem jeito, a mulher é foda!

Blessed be the fruit 7: Passou nem Wi-fi, nem agulha, nem nada quando a June parou o carro da Serena. HAHAHAHHAH eu amo uma Guerra Fria.

Bom, meus amores! É isso, nos vemos na próxima. Cuidem-se!! Beijinhos =)



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