The Handmaid’s Tale 5×05: Fairytale – Série Maníacos


Chegamos na metade da temporada e podemos perceber que tivemos um divisor de águas em Fairytale. Muito do que vamos ver daqui para frente teve seu terreno preparado nos episódios anteriores e as coisas passaram a ficar um pouco mais claras agora. Apesar de não ter sido um excelente episódio do ponto de vista de vários plot twists ou cenas de ação e pancadaria, rs, terminei o episódio com uma sensação de que agora temos muito mais a se observar e analisar.

O episódio se dividiu em dois grandes núcleos e decidiu seguir duas narrativas que não se assemelham, mas se complementam. Se June hoje continua na busca incessante pela filha e segue na tentativa de trazê-la para perto e consequentemente longe de Gilead, isso só é possível graças ao que rolou entre ela e Serena no passado. A vida de June foi colocada de cabeça pra baixo graças as ideias da Serena. Uma coisa foi puxando a outra e se fossemos fazer uma brincadeira a lá Efeito Borboleta, passaríamos horas buscando culpados até entendermos de onde surgiu tudo isso.

Mas a questão aqui é: desde que foi capturada June convive com a ausência da filha e os traumas decorrentes do seu tempo em Gilead. Traumas esses que não passaram com a morte do Fred e tampouco cessará com uma possível morte da Serena. Existem violências que não vão embora como tempo, ainda que ele seja nosso maior aliado no quesito esquecimento. O que June viveu não é passível de esquecimento tão rapidamente e a paz e tranquilidade podem vir com mais certeza com o retorno da Hannah para casa. Enquanto esse dia não chega, a personagem vai em busca de respostas, entendimentos e tenta fazer o possível para não desistir de um dia ter a sua filha de volta.

O plano de ir até a terra de ninguém é, sem dúvidas, um dos mais perigosos e olha que a June é expert em planos bizarros. Toda atmosfera por trás das cenas no boliche e na mata foi dando a entender de que algo de errado aconteceria e tão logo seríamos surpreendidos. Diferentemente do que eu imaginava, por exemplo, a traição do jovem rapaz não veio, mas a armadilha em que ele foi pego logo depois foi suficiente para deixar as cenas ainda mais tensas e o futuro do casal June e Luke ainda mais em aberto.

Não sei se a ideia da June retornando a Gilead é de fato um bom caminho, talvez seja repetitivo, mesmo que agora o objetivo seja somente o resgate da Hannah. Também não temos a certeza que é para lá que eles foram, mas a June sendo quem é e diante dos últimos acontecimentos envolvendo ela, Serena e em como a imagem de Gilead ficou após os atentados, não vai haver misericórdia para June e Luke, e aqui é um palpite de que o Luke poderá nos deixar a qualquer momento. É tudo muito incerto, mas temos que entender qual será o propósito da série diante das consequências da captura do casal.

Um ponto interessante a ser analisado em Fairytale é o pano de fundo político entre as nações. O país canadense passa por algumas manifestações políticas, e a tensão parece se tornar mais ferrenha a medida que refugiados passaram a viver por lá. Não sei se vocês ficaram com a mesma sensação, mas esse lance dos refugiados não serem bem-vindos no Canadá, de existir uma certa resistência por parte da população e concomitantemente haver um plano do Lawrence para abrigar essas pessoas, além de pessoas consideradas terroristas que fugiram de Gilead, como um ato de boa fé e perdão, me parece muito bem encaixado. O plano do Comandante parece ser a solução de muitos dos problemas de Gilead, sobretudo se pensarmos na economia e em outros aspectos que geram o funcionamento de um país.

Talvez uma coisa não ligue necessariamente a outra, mas pensando a longo prazo e no tanto de informação minuciosa que tivemos, é possível que a série esteja caminhando para esse lado. De todo modo, as perguntas que ficam são: de que maneira isso afetará a vida de Gilead? Quais são as formas de se atrair pessoas que fugiram de lá sabendo que a vida era um verdadeiro inferno? Difícil imaginar um retorno com expectativa de moradia, ainda mais de mulheres que tiveram suas vidas praticamente destruídas por Gilead.

A estrutura teria que mudar e os Comandantes, a priori, não estão dispostos a conceder tal liberdade ao Lawrence para seguir com a Nova Belém. Mas se lembrarmos um pouco mais, esse é o personagem mais obstinado depois da June e Serena. Dificilmente ele não vai conseguir o que deseja, a sua maneira pragmática e ao mesmo tempo paciente de esperar para que seus planos sigam sequência pode fazer com que consiga pôr em prática seu plano, ainda que sob os olhares apurados dos demais Comandantes.

Ultimamente meu plot favorito se tornou ver Serena em sua aventura como embaixadora de Gilead, servindo como uma legítima massa de manobra pelos Comandantes. Confesso que me delicio a cada cena de desespero da Sra. Waterford. É legal demais vê-la entrar em modo desespero por não poder sair, se comunicar com outras pessoas, fãs ou sequer ser surpreendida pela June num desses passeios casuais.

Quem não ouve quieto ouve coitado e o que não faltou para a Serena foram avisos. Dos mais variados inclusive. A sua teimosia, a sua ânsia pelo poder a colocou em uma posição tão desconfortável quanto ser prisioneira premium do Canadá. A série vai nos mostrando, em diferentes pontos, a maneira como Serena é encaixada como uma espécie de Aia. Eu chamaria aqui de Aia de Luxo, afinal, as violências são dispensadas e o que há aqui é um cerceamento de liberdade de maneira camuflada, sem temor, sem pressão, sem violência física, o que não torna menos errado, mas certamente menos pior do que o que as Aias comuns de Gilead sofrem.

Toda fotografia do episódio tratou de alinhar quem era Esposa e quem era Aia, mesmo havendo duas esposas no recinto. Serena deixou de ser prioridade enquanto esposa e passou a ser prioridade enquanto gestante, enquanto aquela que carrega um futuro, a esperança. Serena mais uma vez acredita que sua posição trará algum tipo de benefício para ela, mas esquece constantemente de que os homens odeiam as mulheres e odeiam mais ainda mulheres com poder. Suas preciosas ideias já foram roubadas e aos poucos sua voz vai se calando e se esvaindo.

Muitos acreditam que Serena pode dar um jeito de escapar dessa prisão que se meteu, mas não sei se novamente o pessoal do Canadá ajudaria ela, caso ela pedisse. Quer dizer, não sei nem se ela chegaria a pedir ajuda. Mas certamente ela vai lutar contra a posição que se encontra, é nítido seu descontentamento e o desconforto em tentar ser algo e não poder. Acredito que muito em breve ela vai entender que não está verdadeiramente segura ali ou que essa falsa segurança só serve contra June, que aparentemente tão cedo não será um problema para ela.

Blessed be the fruit 1: O Wheeler, que aparenta ser um Comandante, já se mostrou ser um personagem bem interessante. Espero que seja mostrado mais dele e suas interações com a Serena foram instigadoras.

Blessed be the fruit 2: Não queria uma captura da June e piorou ela retornando a Gilead. Medo demais do que pode acontecer com ela e Luke.

Blessed be the fruit 3: Rolou um clima entre Moira e a Lily ali, hein… talvez a Moira entre para Resistência ao se aproximar mais da Lily. Vamos ver.

Blessed be the fruit 4: Tô adorando o Luke mais proativo e decidido a fazer algo pela Hannah, mas sinto que esses últimos episódios dele podem ter soado como uma despedida.

Episódio tenso demais e ainda tem muita coisa para rolar nessa metade restante. Bora que bora! Vejo vocês na próxima! Um beijo =)



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