The Train – Série Maníacos


 

Chegamos ao tão aguardado episódio da morte da Rebecca. Produzido de maneira maestral, trazendo a metáfora do trem da vida, reunindo pessoas e memórias queridas, This is Us chega ao seu penúltimo episódio com fôlego de série grande. Pode parecer exagero para aqueles que não assistem ou começaram, porém não se identificaram com a série, mas não tem como negar que o que essa série fez e faz enquanto produção da TV Aberta nos EUA, não tá no papel.

E para nós, que somos fãs dessa belezura, só nos cabe agraciar e agradecer pelo privilégio que foi acompanhar seis anos dessa família mais que especial. Dito isso, bora começar nosso papo?

Se alguém aqui esperava algo menos do que nos foi apresentado, manifeste-se nos comentários. É claro que é possível exigir mais e sempre mais de quem pode nos dar mais. Mas o que rolou em The Train é de se guardar para vida toda. Algumas pessoas esperavam mais sofrimento e foram pegas de surpresa quando viram um episódio tão alegre quanto a trajetória daquela que teve sua história contada.

De forma muito linear nas ideias, This is Us não se limitou a contar uma trajetória do ponto de vista padrão: nascer, viver e morrer. Isso a gente já conhece e já sabemos como funciona, até porque a vida e a morte estão no nosso dia a dia cotidianamente. Existem algumas séries que trazem como temática a vida ou a morte, ou ambas. The Good Place e Six Feet Under mostram, dentro das suas histórias, que você pode simplesmente não estar aqui daqui a 5min e que isso só deveria servir de motivação para que você seja sua melhor versão enquanto vivo. Acontece que quando reduzimos o tema morte/vida ao ato de nascer e a de morrer, a gente reduz o debate e consequentemente criamos tabu em torno disso.

Como brilhantemente pontuou o William, se algo te deixa triste quando acaba é porque, de fato, ele foi maravilhoso quando estava acontecendo. Do contrário, pouco íamos nos importar. Pensem bem, enxergar um processo apenas do ponto de vista que ele se mostra é ignorar toda visão acerca de algo que você acaba não percebendo. Aquele emprego que não deu certo, aquele relacionamento que não vingou, a prova que você perdeu, a vida que se foi, enfim… todos os pequenos ou grandes acontecimentos da vida, que podem ou não nos agigantar, dependem do que você faz e como você digere tais fatos.

Pode parecer papo de coach ou de gente gratiluz demais, eu sei! Mas percebam que a gente passa tempo demais reclamando do que não deu certo, das faltas de oportunidades, como se a situação fosse resumida apenas e tão somente nessas frustrações, nesses não acontecimentos. Vira e mexe eu cito aqui a série How I Met Your Mother, e para aqueles que não a conhecem, ela é ótima em muitos aspectos, mas sobretudo para exemplificar que o que importa não é o fim, não exclusivamente, mas sim a jornada. A trajetória e o que acontece quando você não está olhando. Por mais bobo que possa parecer as vezes, sobretudo quando estamos mergulhados nas nossas frustrações e tristezas, passar a enxergar algo de bom, por menor que seja, por mais simples que pareça, certamente nos evoluirá enquanto seres humanos e trará um pouco mais de felicidade nas nossas vidas.

A história de Marcus é um exemplo de como a gente não sabe de nada, e que o futuro realmente pertence a alguém que não nós. As cenas que precederam o acidente de carro muito me fizeram lembrar aqueles episódios em que a série trazia uma família, personagens até então desconhecidos para explicar lá na frente qual a conexão com o Big Three ou demais personagens. Essa nostalgia mental foi importante, porque demonstra que a essência sempre foi a mesma. This is Us nunca deixou de ser o que ela disse que seria, o fato de não começar a temporada de maneira eufórica, alucinante, com episódios bem caprichados, em nada significou a decadência da série ou a perdição no roteiro. Muito pelo contrário, desenvolvimento leva tempo e por mais ávidos pelas resoluções, a vida real não funciona dessa maneira. E para aqueles que não se lembram da proposta da série, ela foi anunciada como uma história sobre a vida, personagens que se conectam de formas curiosas, mas muito uma história sobre a vida.

Em uma noite que uma casa pega fogo e uma família sofre um acidente de carro, duas vidas são conectadas, mesmo que de forma breve. O lema da família Brooks é o mesmo que o obstetra e amigo da família Pearson ensinou a Jack e Rebecca lá no parto dos gêmeos. O dia da morte do Jack é o mesmo dia em que Marcus voltou a vida, que sobreviveu. Quantas conexões não existem por aí, que deixe a gente mega reflexivo depois que acontece? A série já nos mostrou similaridades como essa e é inevitável não se perguntar: e se? E se não tivesse acontecido nada disso como chegaríamos nisso aqui? Determinismo ou livre árbitro, multiverso da loucura ou um pouco de fé? Não temos certeza de nada, mas a gente já compreendeu que a vida não dá ponto sem nó e o que é visto apenas como triste para uns, para outros é a tristeza + algo mais. E é nesse algo mais que devemos nos apegar, no panorama completo.

Não por acaso o dia em que todos se reuniram para se despedir da Rebecca, foi o mesmo dia que Deja contou ao Malik e Randall que está grávida. Nascimento e morte andam lado a lado porque um só existe por causa do outro. É como diz o ditado: para tá morto, basta estar vivo. E quando morre, tudo aqui nesta vida acaba, tudo passa, e cabe somente a você fazer algo em relação a isso.

Quando o Jack morreu, ninguém havia se preparado, não houve expectativa, ninguém esperava. E geralmente é assim. A única certeza que temos da vida é que não viveremos para sempre e que podemos morrer a qualquer momento, mas mesmo assim nos chocamos quando acontece. Contraditório, né? Acho que muitos de nós são tão apegados ao que temos, a esse mundo que vivemos que pensar em algo diferente disso, sem as pessoas, rotina, nosso dia a dia, é apenas doloroso demais. Jack não teve o privilégio de se despedir de seus filhos, especialmente o Kevin. Não pôde passar mais tempo ao lado do amor da sua vida, não pôde conhecer suas noras e genros, netos/as e bisnetos/as, não fez as pazes com seu irmão. Foi embora cedo demais.

Em contrapartida, Rebecca viveu por mais tempo do que a maioria das pessoas idosas. Não sabemos a idade exata, mas ela aguentou muito para uma pessoa doente e diferentemente do Jack, teve tempo de não só se despedir, mas vivenciar cada pedacinho da vida das pessoas ao seu redor. Ela aconselhou, foi cupido do amor, foi amiga, foi segunda/terceira e até quarta mãe, foi uma gigante, e elogios nenhum vão conseguir expressar a magnitude da personagem. Eu lembro que lá na primeira temporada, também em reviews, eu me questionava o porquê da Rebecca não ser tão exaltada quanto o Jack. Ainda bem que esse momento chegou, e como disse semana passada, ele veio na hora certa, e nas temporadas certas.

Rebecca Pearson foi de tudo e parece até que não foi o suficiente. Acompanhar seu trem da vida, juntamente com o William, foi um deleite a parte neste episódio. Segurando-se para não partir, na espera de alguém que sempre foi a joia rara, que mesmo com todos os problemas familiares, as brigas, as comparações, os reflexos da sociedade tóxica que cria mães rivais das filhas, Rebecca esperou e conseguiu fazer com que Kate se despedisse dela. Coisa linda. A mesma despedida que faltou ao Kevin com o Jack, não faltou para mãe e filha. Esse paralelo foi notado e com certeza aprovado. Com muita alegria, crianças brincando de bola lá fora, boas lembranças na noite anterior, despedidas rápidas, mas que aconteceram, últimas frases, conversas e agradecimentos, Rebecca teve de tudo e Mandy Moore nos entregou à altura cada pedacinho do que foi exigido dela. Obrigada por tanto, Becca! Como disse Sterling K. Brown em seu perfil do Instagram: “tonight we say goodbye to ma and next week we say goodbye to #ThisIsUs. Damn… =(“.

The Big Seven

P.S.: “Hey”.

P.S.: “Papel pioneiro no desenvolvimento de drogas contra o mal de Alzheimer”. Marcus, mal te conhecemos e você é o cara!! Ainda bem que não desistiu de continuar na luta por algo importante.

P.S.: Randall reagindo a notícia da gravidez da Deja. FOFO E TUDO PARA MIM.

P.S.: Beth dizendo que já sabia da gravidez antes mesmo da Deja. Ahahahhaha mães, por que tão perfeitas?

P.S.: Adorei a produção do elenco. Todos estavam lindíssimos. Cabelin na régua, de beca e tudo.

P.S.: Feliz pelo Toby ter estado lá e tratar tudo com leveza, mostrando a grande evolução no pós divórcio.

P.S.: Achei real que o Marcus seria o parceiro da Deja no futuro, mas senti que ele também ia ter algo a ver com a doença da Rebecca.

Bom, eu não faço ideia de como ficaremos com a series finale. Se com esses seis últimos episódios a gente veio sofrendo, chorando e tentando achar o chão onde pisamos, imagine no último de todos? Podemos afirmar com certeza que semana que vem vai ser o ápice. Eu não tô preparada, mas estarei por aqui, e vocês? Um beijo, amores.



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