Verde, de Stuhlberger, alerta para 2 efeitos principais de guerra russa


Apesar de os preços de ativos no Brasil não terem até aqui sofrido significativo impacto do ataque militar da Rússia à Ucrânia, investidores devem ficar atentos a pelo menos duas variáveis cujos efeitos não devem se dissipar rapidamente. É o que aponta a Verde Asset, do experiente gestor Luis Stuhlberger, em sua carta aos clientes recém-divulgada.

“Os impactos sobre preços de commodities devem durar bastante tempo. Seja pelos impactos micro diretos na região, especialmente em relação a fertilizantes e produção de trigo; seja pelo impacto das sanções, com o petróleo russo virtualmente inegociável no mercado global, ou riscos para produção de metais como paládio ou níquel”, aponta a carta.

“O risco geopolítico no preço de commodities voltou com força total. No longo prazo, a solução para preços altos são preços mais altos: teremos destruição de demanda e incentivo para novas tecnologias. Mas, no curto e médio prazo (alguns anos), o custo deve se manter alto, e com assimetrias altistas”, afirmou a gestora no documento.

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O preço do barril do tipo Brent, por exemplo, acumula alta de cerca de 40% neste ano, negociado na sexta-feira, dia 11, na casa de US$ 112. Mas chegou a superar o patamar de US$ 130 no começo da semana passada.

Fenômeno semelhante acontece com diferentes commodities metálicas, como o níquel e o alumínio, dadas as restrições à oferta global com as sanções à Rússia, um dos principais produtores de ambos.

O segundo ponto destacado pela gestora, uma das maiores e mais longevas do país, com R$ 55 bilhões em ativos sob gestão em 2021, se relaciona com uma variável macro que já representava um dos grandes desafios para o investidor: o intenso aumento dos preços.

“O equilíbrio macro global está mais desafiador. A inflação já vinha alta antes da invasão, e isso só piorou. Ao mesmo tempo, o crescimento tende a sofrer com o aperto de condições financeiras trazido pela guerra, especialmente na Europa.”

“Equilíbrios ‘estagflacionários’ são particularmente difíceis de navegar para os banqueiros centrais. Vemos o Federal Reserve ainda mantendo a trajetória de aperto monetário, mas o ECB [Banco Central Europeu] tendo que se equilibrar numa situação mais difícil dados os impactos sobre o crescimento”, destacam os autores da carta da Verde.

O fundo Verde, principal produto da casa, encerrou fevereiro com ganho de 1,32%, versus variação de 0,75% do CDI. No acumulado do primeiro bimestre, a valorização foi de 2,82% (versus 1,49% do CDI).



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